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Reajuste do Auxílio Transporte da Uerj ganha força para 2027

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 24 de jul.
  • 3 min de leitura

Benefício pode chegar a R$ 415, um reajuste de aproximadamente 10%


Por: Diego Oliveira


Embora 2026 ainda esteja longe do fim, o ano de 2027 pode trazer uma importante conquista para os estudantes cotistas e de baixa renda da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Além da Bolsa Permanência, equivalente a meio salário mínimo pago mensalmente, e do Auxílio Material Didático, no valor de R$ 600, concedido uma vez por ano no mês de julho, os estudantes que atendem aos critérios socioeconômicos estabelecidos também recebem o Auxílio Transporte, atualmente fixado em R$ 300 mensais. É justamente esse benefício que pode passar pela mudança mais significativa no próximo ano.


O Auxílio Transporte começou a ser pago aos estudantes da Uerj em outubro de 2021, em caráter emergencial, devido aos impactos provocados pela pandemia da Covid-19. No início de 2022, o benefício passou a integrar de forma permanente a política de assistência estudantil da universidade. Apesar disso, desde sua criação, o valor de R$ 300 nunca recebeu qualquer reajuste, mesmo diante do aumento constante das tarifas do transporte público. Agora, esse cenário pode finalmente mudar.


Na quinta-feira, 16 de julho de 2026, após deliberação do Conselho Universitário realizada na semana anterior, a Reitoria da Uerj, em conjunto com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), anunciou a proposta de reajuste do Auxílio Transporte dos atuais R$ 300 para R$ 415 mensais, com previsão de implantação no início de 2027.


Segundo a Pró-Reitoria de Políticas e Assistência Estudantil (PR4), a medida busca garantir maior segurança financeira aos estudantes, que atualmente precisam complementar, com recursos próprios, o valor necessário para custear o deslocamento diário até a universidade e também para participar de atividades acadêmicas externas ao longo do mês.


O benefício permanecia sem qualquer correção desde sua implantação. Considerando a inflação acumulada no período, a defasagem alcança aproximadamente 25,34%, o que elevaria o valor corrigido para cerca de R$ 376. Portanto, a proposta de reajuste para R$ 415 (aproximadamente 10% de aumento) supera a simples recomposição inflacionária e representa um importante avanço para a assistência estudantil.


Na prática, a medida reduzirá a necessidade de que muitos estudantes retirem dinheiro do próprio orçamento para custear as passagens, evitando faltas e diminuindo os constantes malabarismos financeiros enfrentados por quem depende exclusivamente do auxílio para frequentar a universidade.


Porém, como toda boa iniciativa, essa também enfrenta obstáculos burocráticos. A proposta depende do aumento das verbas destinadas à Uerj por parte do governo do Estado do Rio de Janeiro. Para isso, será necessária a inclusão dos recursos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), cuja votação está prevista para novembro de 2026, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).


Outro fator relevante é que, antes da votação da LDO, ocorrerão as eleições estaduais de outubro de 2026. Com a renovação da composição da Assembleia Legislativa, parte dos atuais deputados deixará seus mandatos, o que pode reduzir a capacidade de articulação política em torno da pauta da assistência estudantil, especialmente diante da falta de sensibilidade de alguns parlamentares em relação às demandas da educação pública.


Entretanto, há um elemento que pode favorecer a aprovação da proposta. No momento em que esta coluna é escrita, o Estado do Rio de Janeiro é governado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), o desembargador Ricardo Couto, que deverá permanecer no cargo até 31 de dezembro de 2026. Por ter sido aluno do tradicional curso de Direito da Uerj, espera-se que o governador em exercício tenha maior sensibilidade às pautas defendidas por docentes, servidores e estudantes da universidade.


Diante desse cenário, os estudantes da Uerj têm motivos concretos para acompanhar com expectativa os próximos meses. Nunca esteve tão próxima a possibilidade de corrigir uma defasagem histórica no Auxílio Transporte. Caso a proposta seja efetivamente aprovada, milhares de alunos poderão frequentar a universidade com maior tranquilidade financeira, sem precisar comprometer o orçamento familiar para custear o deslocamento diário.


Mais do que garantir o direito de ir e vir, a medida permitirá que esses estudantes direcionem parte de seus recursos para a aquisição de materiais didáticos, participação em atividades acadêmicas e oportunidades capazes de agregar valor à formação universitária. Trata-se, acima de tudo, de um investimento na permanência estudantil e na construção de uma universidade pública cada vez mais acessível e inclusiva.

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