Ciência no topo: Uerj vence o Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 com duplo reconhecimento
- Comunica Uerj

- há 3 dias
- 4 min de leitura
A universidade conquistou a principal premiação do livro científico no Brasil com obras sobre ecologia marinha e currículo escolar, com destaque para livro que mapeia a ameaça do coral-sol à biodiversidade brasileira.
Por: Luiza da Costa
Foto: Luiza da Costa

Carolina Gonçalves de Amorim: Uma das autoras de A Bioinvasão do Coral-Sol
A Uerj viveu uma noite histórica em São Paulo. Em cerimônia realizada na Câmara Brasileira do Livro (CBL), a instituição foi a grande vencedora do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, conquistando o troféu máximo em duas categorias estratégicas: Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia e Educação e Ensino.
O Jabuti Acadêmico — vertente do mais tradicional prêmio literário do país — tem como objetivo dar visibilidade e reconhecer a produção científica, pedagógica e universitária realizada no Brasil. A conquista dupla reafirma o protagonismo da Uerj no cenário científico nacional, evidenciando o impacto de pesquisas públicas de excelência que ultrapassam os muros da universidade para gerar conhecimento e soluções para a sociedade.
Nas duas categorias, a Uerj se destacou com produções de relevância. Em Educação e Ensino, a instituição foi vencedora com a obra Por um currículo sem fundamentos, de autoria da professora Alice Casimiro Lopes. Já na categoria Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia, o prêmio foi concedido ao livro A Bioinvasão do Coral-Sol, resultado de um amplo esforço coletivo liderado pelos pesquisadores Beatriz Fleury e Joel Christopher Creed, que reuniu 84 autores de diferentes regiões do país.
O desafio ambiental e a saga do coral-sol
A obra A Bioinvasão do Coral-Sol apresenta um panorama abrangente de um dos principais desafios ambientais da costa brasileira. Lançado originalmente no Museu do Amanhã, com apoio da Faperj, o livro reúne anos de pesquisas conduzidas pelo Projeto Coral-Sol, criado nos laboratórios da Uerj e atualmente integrado a uma rede nacional de cooperação.
Para entender a relevância do prêmio e da obra, conversamos com Carolina Gonçalves de Amorim, 31 anos, coautora do livro e pesquisadora do Laboratório de Ecologia Marinha e Química (Lemarqui) da Uerj. Formada pela própria universidade e atualmente doutoranda em Ecologia e Evolução — com período de estudos na Itália, por meio de bolsa da Capes —, Carolina acompanha de perto a problemática desde 2017.
“O livro é um compilado de anos de pesquisa do Projeto Coral-Sol, criado pelo professor Joel Christopher Creed. Ele reúne o trabalho de mais de 80 autores de todo o Brasil. Não é um esforço individual, mas o resultado de anos de trabalho de uma rede de cientistas dedicada a compreender e conter essa ameaça”, explica a pesquisadora.
Entenda o problema da bioinvasão
Nativo do Oceano Indo-Pacífico, o coral-sol é uma espécie invasora que chegou ao Rio de Janeiro na década de 1980, incrustado nos cascos e nas estruturas de plataformas de petróleo. Sem predadores naturais no Atlântico e com alta capacidade de sobrevivência, o organismo ocupou costões rochosos e se espalhou por praticamente todo o litoral brasileiro, de Santa Catarina ao Ceará. Ao competir por espaço e recursos com espécies nativas, o coral-sol ameaça diretamente a biodiversidade marinha brasileira.
Na obra premiada, Carolina assina o capítulo dedicado às estratégias de controle do bioinvasor, área à qual tem dedicado sua tese de doutorado. Em parceria com o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), a pesquisadora desenvolve soluções tecnológicas para enfrentar o problema.
“O meu doutorado busca descobrir substâncias bioativas para conter o coral-sol. Trabalhamos com nanotecnologia para desenvolver nanopartículas aplicadas em tintas anti-incrustantes, evitando que esses e outros organismos invasores consigam se fixar na nossa costa.”
Ciência que se transforma em política pública e impacto social
A relevância do trabalho desenvolvido pela Uerj ultrapassou os laboratórios e chegou ao Congresso Nacional. A base de dados e o conhecimento produzidos pelo grupo serviram de alicerce para a criação do Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Coral-Sol, conduzido pelo professor Joel Christopher Creed em discussões realizadas em Brasília.
Para a equipe, a conquista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 coroa uma trajetória de dedicação e contribui para aproximar a produção científica do público em geral.
“Ficamos todos extremamente felizes. Esse prêmio é o reconhecimento de anos de trabalho duro, tentando amenizar um problema ambiental sério. O Jabuti Acadêmico é fundamental porque traz para fora da academia muita coisa boa que produzimos aqui dentro e que, às vezes, não ganha a repercussão merecida no dia a dia da sociedade”, afirma Carolina.
Ao ressaltar a importância da leitura do livro, disponibilizado gratuitamente em versão digital, a pesquisadora também destaca o caráter acessível da obra e convida o público a conhecer o conteúdo.
“Recomendo a leitura porque o livro explica, desde a base, o que é um coral e o que é o fenômeno da bioinvasão. A invasão biológica não acontece só no mar; existem vários organismos invasores em ambientes terrestres que as pessoas nem imaginam. É uma obra bonita, ilustrada e acessível, essencial para quem quer entender os reais desafios ambientais do nosso tempo.”
A vitória no Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 reforça o papel da universidade pública no desenvolvimento de pesquisas de ponta, na promoção da soberania científica e na proteção do patrimônio natural brasileiro.
A cerimônia completa de premiação está disponível no canal da Câmara Brasileira do Livro (CBL) no YouTube.








Comentários