#PersonagemDaUerj: Sérgio Souto / Professor do Departamento de Jornalismo
- Comunica Uerj

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Por: Murilo Soares
Foto: Sérgio Souto

Jornalista com cerca de 30 anos de experiência profissional em assessoria de imprensa e redação, Sérgio Souto é, desde 2015, professor da Faculdade de Comunicação Social (FCS) da Uerj. Durante sua trajetória, lecionou, entre outras disciplinas, Linguagem Jornalística I e II, Técnicas de Redação Jornalística, Laboratório de Jornalismo I e III, Jornalismo Impresso, Jornalismo Econômico e Jornalismo Esportivo, além de orientar TCCs. Ex-aluno da Uerj e formado pela ECO-UFRJ, é autor ou coautor de oito livros. Desde 2024, passou também a escrever contos. Nesta entrevista, conheceremos mais sobre essa figura marcante da FCS e da Uerj.
Por que o senhor escolheu se graduar em Comunicação Social?
Eu já gostava de escrever desde muito novo, tendo escrito, entre 18 e 19 anos, um livro de ficção, Em algum lugar do Brasil, nunca publicado, e cometido meus poemas. Mas o que me levou ao jornalismo foi o período em que cursava engenharia e me tornei um dos redatores de panfletos e jornais do movimento estudantil. Descobri ali uma vocação que me foi útil quando decidi, enfim e felizmente, largar a engenharia, e não sabia o que fazer. Mas, na faculdade, descobri que a linguagem jornalística é muito diferente da linguagem da prosa e da poesia. Aos poucos, fui entendendo a nova gramática, principalmente quando comecei a fazer os primeiros freelas.
Quando o senhor começou a trabalhar na Uerj?
Em 2015, quando, por conta de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público estadual, a Uerj abriu um concurso público para reduzir o número de professores substitutos, cujas condições de trabalho são extremamente precárias, e, ao mesmo tempo, adaptar o número de docentes da FCS às necessidades das mudanças na carga curricular. Eram duas vagas, e fui um dos aprovados entre quase 40 participantes. Foi um momento importante de virada na minha vida.
O que a FCS Uerj significa para o senhor?
Costumo dizer que sou um privilegiado por, em toda a minha vida, só ter trabalhado com coisas das quais gosto e ainda ser remunerado por isso. Além da remuneração financeira, que, infelizmente, reflete a pouca valorização da educação no país, existe a remuneração afetiva, que vem da interação com os alunos, das pesquisas, dos laboratórios e das reuniões da área.
Qual a sua relação com os alunos?
De maneira geral, é estimulante e de trocas recíprocas, principalmente, quando pego sequências de turmas interessadas e interessantes como a de vocês. Sou profissional, cumpro integralmente minhas responsabilidades, mas também sou um pouco reativo, uma pessoa que responde muito em função dos estímulos que vêm das turmas. Como educação é um processo interativo e de construção coletiva, turmas interessadas constroem semestres mais interessantes e estimulantes do que turmas com uma vibe diferente. Felizmente, a grande maioria das turmas que tive, principalmente, as dos primeiros períodos, foram formadas por alunos com curiosidade pela vida e pela profissão.
O senhor tem alguma história curiosa ou interessante relacionada à FCS Uerj?
Existem várias, mas cito a de um aluno de Linguagem Jornalística II, que, numa aula sobre crônicas, produziu – e cantou – uma história em forma de versos para uma aluna da qual ele gostava. Sei que existiriam professores que, talvez, cortassem ou considerassem a performance deslocada, mas eu penso que, quanto mais os estudantes conseguem vincular conceitos e outros aprendizados do curso a fatos do seu cotidiano, mais estaremos próximos de uma educação verdadeiramente estimulante e emancipadora.








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