Para ir e voltar da Uerj, as mães precisam tomar cuidado para amamentar nos transportes públicos

Por: Diego Oliveira
Hoje, nossa conversa é sobre um tema muito sério, sensível e de grande relevância para todos. Falar sobre amamentação, por si só, já é algo que me remete a um ato lindo e especial. Mas quero trazer à discussão os desafios que as mulheres, principalmente as alunas da Uerj que são mães têm de enfrentar no transporte público.
Quando penso no ato de amamentar, as primeiras coisas que me vêm à mente são pensamentos de amor, vínculo entre mãe e filho, cuidado, proteção, carinho e tantos outros sentimentos. Esse ato puro e simples, que representa um dos primeiros contatos entre mãe e filho, possui um simbolismo muito maior do que as pessoas podem imaginar. Esse ato natural, posso dizer, é o primeiro passo de uma trajetória de amor que pode durar eternamente. Ao observar as mulheres conquistando cada vez mais protagonismo na sociedade moderna e, por conta disso, ocupando posições de destaque, percebo que muitas delas escolhem conciliar seus estudos com a maternidade. Diante da infinidade de benefícios e do acolhimento oferecido, muitas dessas mães optam por estudar na Uerj.
Ao acompanhar o desafio da maternidade se encontrando com a graduação na Uerj, percebo que muitas mulheres, principalmente no início da maternidade, precisam levar os filhos à universidade para que possam cuidar deles e estudar ao mesmo tempo. É nesse momento que a amamentação, um ato que classifico como sagrado, se torna mais um desafio.
Para ir e voltar da Uerj diariamente, essas mães estudantes precisam utilizar o transporte público. Fazer esse deslocamento com uma bolsa de itens do bebê no ombro, o material de estudos na mochila e a criança no colo não é nada fácil. Vejo a solidariedade dos passageiros, ao oferecerem um lugar a essas mulheres como algo fundamental, que facilita muito esse processo de deslocamento. Mas existe uma dificuldade ainda mais delicada: a hora da amamentação.
Quando penso na amamentação dentro do transporte público, vejo que as mulheres precisam tomar todos os cuidados possíveis e imagináveis. Para elas, o simples ato de colocar o peito para fora da roupa a fim de alimentar sua criança pode, para alguns marmanjos engraçadinhos, ser um prato cheio para ficar de olho no que não devem. Mas, no meio desse dilema, também vejo mulheres que se protegem e se auxiliam para que sua intimidade seja respeitada. Ao mesmo tempo em que ainda existe uma parcela de homens que tenta fazer desse momento uma oportunidade para ver o que não deve, também encontro outros, conscientes e com senso de proteção, que prontamente respeitam e procuram zelar pela segurança e integridade tanto da mãe quanto do bebê dentro dos transportes públicos do nosso estado.
A estudante do curso de Pedagogia da Uerj Larissa Furtado, de 21 anos, fala sobre como é a experiência de estudar, ser mãe e ter que amamentar no transporte público durante o deslocamento de ida e volta do campus Maracanã da Uerj.
"Quando ingressei na Uerj, ainda não estava grávida. Mas, quando engravidei, minha relação com o transporte público mudou muito, pois, além de ter de ir à faculdade diariamente, preciso levar meu bebê e suas coisas. O maior desafio é contar com a solidariedade dos passageiros para que eu consiga um lugar para me sentar. Sobre a amamentação, nunca passei por nenhum constrangimento, já que esse é um ato natural e necessário para a vida do bebê. Muitas mulheres se sentem expostas porque, ainda hoje, há uma sexualização do corpo feminino. No meu caso, porém, esses olhares diminuem, principalmente porque, na maioria das vezes, estou acompanhada do meu marido."
A fim de ajudar as mães que precisam ir, vir e permanecer na Uerj, vejo que uma série de benefícios é oferecida pela universidade. Além do auxílio-transporte e da bolsa equivalente a meio salário mínimo, paga às alunas cotistas, quem tem filho recebe o Auxílio Primeira Infância. Essas ajudas de custo, combinadas com o acolhimento moral por parte da Uerj e dos alunos e alunas que estão ao redor dessas mães, fazem toda a diferença para que a permanência delas seja mais leve. Mesmo diante de todos os desafios, vejo essas mulheres seguindo sua caminhada até a formatura.
Se eu puder mandar um recado carinhoso às mães que estão na Uerj, dividindo a graduação com a maternidade, minha mensagem é: não desistam do sonho de concluir um curso universitário. Mesmo com todas as dificuldades, acredito que vocês sairão desse processo ainda maiores do que eram antes de ingressarem nessa faculdade maravilhosa e acolhedora que é a Uerj.
Ao mesmo tempo em que digo às minhas amigas mães que não desistam do sonho da graduação, também mando um pedido encarecido à nossa querida Uerj: criem novas políticas de acolhimento, respeito, tolerância e integração, para que as mães possam compartilhar experiências entre si, independentemente do curso que frequentem.
Acredito que a maternidade é capaz de unir.
Mando a todas as mães matriculadas na Uerj o meu fraterno abraço e todo o meu respeito. Aos amigos que têm como colega de sala uma mãe, peço que sempre pensem em criar um ambiente acolhedor e humano, para que ela se sinta querida e respeitada dentro e fora da sala de aula.
Viva as mães da Uerj!








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