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I Simpósio do PPGE busca ampliar horizontes para além do meio acadêmico

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 28 de out.
  • 4 min de leitura

Com o tema Do genoma ao ecossistema: integrando escalas e tempos de vida, proposta desperta reflexão de que não somos apenas parte de uma rede – somos a própria rede


Por: Carlos Roberto


Ecologia e evolução não são coisas separadas. Elas se integram, trabalham juntas. Essa é a principal mensagem ecoada durante o simpósio, realizado no primeiro andar e no hall da Uerj, entre os dias 20 e 24 de outubro. Lucas Medeiros, estudante de pós-graduação do Programa de Ecologia e Evolução (PPGE), destaca o papel dessa integração e enxerga o evento como uma forma de abrir as portas para o público para além da universidade. Reconhecendo que o curso é um pouco fechado aos alunos e tem pouca interação com a comunidade externa, a proposta é justamente romper com esse ciclo, e ao mesmo tempo endossar que ambos não são antagônicos.


Já vimos a importância de compartilhar nossas vivências como forma de unir esforços no enfrentamento de desastres ambientais, uma vez que o ambiental não está separado do social. O poder que esse laço possui é grandioso. Trazendo a tônica para o campo da tecnologia, na aula de Comunicação em Mídias Digitais, vimos que a rede evoca a transformação e o cruzamento de fluxos contínuos que se entrelaçam entre outras redes de apoio, redes sociais e diversas outras conexões. Nós não fazemos parte dela, nós somos ela. Nossa vida coletiva pode ser intermediada por essa conjuntura complexa e metamórfica, para a formação da cidadania. Na análise do genoma ao ecossistema, ou seja, partindo do micro ao macrocósmico - tema da primeira edição, Lucas reflete, a partir da interferência que fazemos no meio ambiente, o enriquecimento trazido pelos múltiplos olhares que o biólogo deve ter para poder fazer e entender esta conexão.


Foto: reprodução/ Carlos Roberto

A exposição dos trabalhos submetidos, chamada de poster break, foi realizada junto ao coffee break.
A exposição dos trabalhos submetidos, chamada de poster break, foi realizada junto ao coffee break.

É interessante ouvir e ver tudo isso acontecendo diante de nossos olhos, porque, na segunda parte das apresentações, no terceiro dia (23), pude encontrar minha irmã Georgiane Alves, do curso de Biologia, que me apresentou à professora Valéria Gallo, a autoproclamada - com toda justiça - mãe do Antarctichthys longipectoralis. O fóssil do peixe pré-histórico de difícil pronúncia foi identificado na Península Antártica. A descoberta surpreendente quase não a permitiu fazer o lanchinho, afinal, ela foi bastante acionada para entrevistas e elogios dos seus orientandos e alunos.


Por falar em lanche, foi uma excelente ideia estabelecer o coffee break durante a apresentação dos banners. O público se nutria de conhecimento e alimento, o que explica o fato de o hall ter ficado cheio. A ideia foi um sucesso. E não foi apenas Lucas, que estava apresentando sua pesquisa, que concordou. A submissão se tratava da ocorrência de um rato-espinho Trynomis spp. nas imediações da Ilha Grande. O meio é fundamental para a transformação e a adaptação do ser, além da descoberta de novas espécies a partir desses casos. Um rato de pelagem espinhosa, sendo mais que inusitado, revela a diversidade e a evolução caminhando juntas.


Foto: reprodução/ Carlos Roberto

Lucas Medeiros apresentando sua pesquisa no poster break, realizado na parte da tarde
Lucas Medeiros apresentando sua pesquisa no poster break, realizado na parte da tarde

A professora Maria Alice dos Santos Alves, carinhosamente conhecida como Maza, e responsável pelo Laboratório de Ecologia de Aves e Comportamento (LabEcoAves/Uerj) participou da mesa redonda no primeiro dia (20) e durante o poster break, prestigiou os trabalhos de seus alunos. Não consegui entrevistá-la para a coluna sobre as aves da Uerj, pois sua rotina é sempre muito corrida - o que é compreensível - mas ter esse contato é sempre um trunfo, ainda mais para um observador de pássaros. Ela me indicou o trabalho de Maria Luiza Peres, sobre a descoberta de patologias ósseas nos fósseis de titanossauros, que viveram onde hoje fica Peirópolis, cidade de Minas Gerais. Quem diria que dinossauro pudesse sofrer tendinite de tanto subir os montes mineiros! Como corredor, entendo que são os ossos do ofício, em todos os sentidos da expressão. Para compreender a magnitude da pesquisa, note que estudos de paleopatologia (neste caso específico) de seres que viveram há 145 milhões de anos, estão sendo importantes para estudar essas doenças no corpo humano nos dias atuais. Estudos que revelam qualidade, integração e comprometimento compartilhados com a comunidade.



Foto: reprodução/ Carlos Roberto

Maria Luiza Peres apresenta a pesquisa sobre paleopatologia nos titanossauros, que viveram há cerca de 145 milhões de anos, no período cretáceo
Maria Luiza Peres apresenta a pesquisa sobre paleopatologia nos titanossauros, que viveram há cerca de 145 milhões de anos, no período cretáceo

O ano de 2026 marcará o aniversário de 20 anos do PPGE e, pensando nessa efeméride, a tendência é cogitar o evento seja focado nas mudanças climáticas – agora apontadas como colapsos climáticos – e questões diplomáticas, que também são inseparáveis. Quebrar o viés fechado do meio acadêmico, visando a combater o negacionismo, principalmente para superar a ideia da antivacina, são os objetivos almejados no próximo simpósio e mais adiante, na própria graduação, permitindo a educação crítica para entender como podemos fazer a diferença. A gente não consegue mudar o mundo, mas consegue mudar nosso entorno.


Ter esse espaço de pesquisa como um espaço de escuta, interação e autonomia crítica é fundamental para que possamos nos reconhecer nesse ecossistema, criando um cenário mais harmonioso para esta geração e as que estão a chegar.



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