Animais silvestres demandam cuidado, mas nunca domesticação
- Comunica Uerj

- há 4 dias
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Liga de Animais Silvestres (Lasil) da Uerj trabalha para promover educação ambiental acerca de animais como gambás, serpentes e saguis
Por Daniela Fernandez
Nem todo animal deve ser nosso pet. Para a infelicidade de muitos zoólogos, biólogos e ativistas ambientais, diversos casos nos quais um animal silvestre foi erroneamente tratado como domesticável já ocorreram no Brasil e no mundo. Há poucos anos, em 2023, a mídia acompanhou o episódio do influencer Agenor Tupinambá, que, inicialmente, ignorou leis impostas por órgãos ambientais e decidiu ter uma capivara como animal de estimação. Pessoas como Agenor reproduzem um manejo indevido de seres silvestres e parecem esquecer que o Ibama não autoriza posse e criação desses animais sem que haja uma autorização formal. Mas por que o ser humano recorre a atitudes extremas como as de retirar uma espécie de seu habitat natural somente para lhe fazer companhia? Tal questionamento nos leva a refletir sobre nossa própria existência: somos tão autocentrados assim?
Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, estudantes de ciências biológicas desenvolvem ações que disseminem informações e curiosidades acerca do universo silvestre. Esse é justamente o papel da Lasil, a Liga de Animais Silvestres da Uerj. Como verdadeiros educadores ambientais, a Liga trabalha para informar tanto o público universitário quanto o externo sobre as consequências advindas da domesticação de animais como os gambás, os micos e as serpentes. O estudante Pedro Vedovi, membro da Lasil, conta que houve um período em que alguns saguis eram avistados no campus Maracanã da universidade, mas que, infelizmente, eram alimentados de maneira irresponsável por caminhantes. Vedovi atesta que, à época, a Lasil providenciou, em pontos específicos do campus, placas que sinalizam a proibição de não alimentar os pequenos primatas.

O grande desafio enfrentado por educadores ambientais e especialistas na área é equilibrar as narrativas atreladas aos animais silvestres. Em outras palavras, essas criaturas não são vilãs que devem ser temidas, mas também não são exatamente bichinhos seguros e completamente confiáveis. No caso da esfera silvestre, é de extrema relevância que compreendamos que proteger muitas vezes significa não possuir, uma vez que se domesticarmos tais espécies estaremos causando mais prejuízos que benefícios às vidas delas.
O par humano e animal silvestre é, na verdade, uma relação que põe em risco a saúde de ambos os lados, uma vez que tantos desses complexos seres podem ser vetores de doenças. Organizações como a Lasil, que age de modo que o conhecimento transpasse para além do campo universitário e articula parcerias edificantes com órgãos ambientais como a Patrulha Ambiental do Rio de Janeiro, são peças-chave no processo de equilibrar vidas antrópicas e zoológicas. A questão é entendermos que a atitude mais sábia é jogarmos conforme o jogo da natureza e que cada macaco realmente deve ficar em seu respectivo galho.








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