Depois da reciclagem: Uerj começa a discutir como reduzir a própria geração de resíduos

A universidade amplia ações de sustentabilidade e passa a olhar para além da reciclagem, com projetos de compostagem, redução de descartáveis e estratégias de educação ambiental
Por: Renan Mariath

A reciclagem representa apenas uma parte do desafio da gestão de resíduos dentro de uma universidade. Na Uerj, enquanto a coleta seletiva passa por uma reorganização, a discussão começa a avançar para uma questão anterior: quanto resíduo é produzido e como reduzir essa geração?
Os números ajudam a dimensionar o desafio. Somente no primeiro semestre de 2026, o campus Maracanã encaminhou para reciclagem 2,8 toneladas de papel, 1,12 tonelada de papelão, 350 quilos de plástico, 560 quilos de sucata ferrosa e 280 quilos de resíduos eletrônicos. No mesmo período, foram recicladas 8,6 toneladas de bens inservíveis e 4,7 toneladas de eletroeletrônicos. Em São Gonçalo, somaram-se outras 8 toneladas de materiais recicláveis. Os dados mostram o alcance da coleta, mas também levantam uma questão sobre a quantidade de resíduos produzida diariamente pela universidade.
“Houve uma redução da destinação para os aterros, mas precisamos pensar em diminuir a geração de resíduos como um todo”, explica Lorenzo Theodoro, chefe do Setor de Gestão de Resíduos.
Uma das iniciativas nesse sentido é a compostagem de resíduos de poda, folhas e cortes de grama no campus. Parte desse material, que antes seria encaminhada para aterros, passa a ser reaproveitada. A universidade também busca ampliar o projeto e estuda alternativas para lidar com resíduos orgânicos produzidos em outras áreas, como os restaurantes universitários.
A redução do uso de materiais descartáveis também está entre as pautas. A instituição pretende dialogar com os responsáveis pelos restaurantes para avaliar formas de diminuir o consumo desses produtos e, ao mesmo tempo, estudar o aproveitamento de resíduos orgânicos para compostagem.
Reciclar depende de quem descarta
A mudança, porém, não depende apenas de infraestrutura. Um dos principais desafios apontados pela equipe responsável pela gestão de resíduos é a participação da própria comunidade universitária.
Os materiais destinados à coleta seletiva são considerados resíduos secos. Quando restos de comida ou líquidos são descartados junto aos recicláveis, podem contaminar outros materiais e dificultar - ou até impedir - seu reaproveitamento. Em casos de maior contaminação, uma quantidade inteira de resíduos que poderia ser reciclada pode acabar perdida.
“Quando o material reciclável é contaminado com resíduo orgânico, ele fica ‘molhando’ e não conseguimos aproveitá-lo adequadamente”, explica Lorenzo.
O problema revela que a coleta seletiva não termina na instalação de uma lixeira. É necessário que estudantes, professores, técnicos, trabalhadores terceirizados e demais pessoas que circulam pelo campus saibam como utilizar corretamente os pontos de descarte.

Por isso, a equipe prepara novas estratégias de educação ambiental, com materiais visuais nas lixeiras, ações durante semanas acadêmicas, diálogo com centros acadêmicos e treinamentos voltados a trabalhadores da limpeza, manutenção e jardinagem. Também está prevista a realização de rodas de conversa sobre sustentabilidade para o próximo ano letivo.
A ideia é fazer com que a separação dos resíduos deixe de depender apenas de avisos espalhados pelo campus e passe a integrar a rotina da universidade.
Nesse processo, a reciclagem aparece como parte de uma mudança maior. A questão não é apenas decidir onde colocar o lixo depois que ele existe, mas também repensar o consumo, o descarte e a quantidade de resíduos produzidos diariamente.
A pergunta que começa a orientar esse novo momento da gestão ambiental da Uerj é simples, mas mais difícil de responder: por que a universidade produz tanto resíduo e o que pode ser feito para produzir menos?








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