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Coart: o cantinho mais vívido, colorido, e esquecido da Uerj

Foto do escritor: Comunica Uerj
Comunica Uerj
26 de set.
3 min de leitura

Entre paredes cobertas de artes urbanas, desafios financeiros e uma intensa programação de oficinas, a Coart se consolida como um refúgio de criação no coração da universidade.


Por: Luiza da Costa


Foto: Luiza da Costa

Colagem de fotos do prédio do Coart, localizado em cima do Restaurante Universitário


Quem caminha pelo campus da Uerj pode, em um primeiro momento, não notar a dimensão do pulsar artístico que se esconde em seus corredores. Entre a rotina apressada de aulas e o fluxo constante de estudantes, a Coordenadoria de Artes e Oficinas de Criação da Uerj, conhecida como Coart, surge como um verdadeiro oásis de cor e criação. O prédio, inteiramente estampado por intervenções de arte urbana, carrega em sua fachada a essência do que acontece no seu interior, funcionando como uma explosão de linguagem e expressão. Apesar dessa vivacidade estética e da movimentação constante, o espaço enfrenta o rótulo amargo de ser um lugar esquecido, sobrevivendo em meio a severas limitações de recursos e desafios diários de comunicação.


Longe de ser apenas um local de aprendizado, a Coart dinamiza o cotidiano universitário com uma programação contínua que busca integrar estudantes, professores e a comunidade externa. Às quartas-feiras, de forma quinzenal, o Cinecartola promove exibições audiovisuais e debates que estimulam o pensamento crítico e a apreciação do cinema. Em quintas-feiras alternadas, o espaço recebe eventos socioculturais diversificados. Já o encerramento da semana é marcado pelas sextas-feiras de integração, que contam com maior quórum durante o tradicional karaokê, momento em que o público se reúne para descontrair e aliviar a pressão da rotina acadêmica.


Por trás das cortinas, porém, a sustentação desse polo cultural exige um esforço permanente. Em entrevista, Margareth Pederneiras, encarregada de Comunicação da Coart, detalha as barreiras diárias enfrentadas pela equipe, ressaltando que a falta de recursos é o primeiro grande obstáculo para a visibilidade do espaço: “A divulgação aqui dentro da universidade, tanto no campus Maracanã quanto fora, acaba sendo muito difícil para a gente, porque a primeira barreira que a gente encontra é verba. Eu preciso ter verba para poder fazer materiais, e a gente não tem. A gente acaba sobrevivendo com uma verba pequenininha das oficinas, mas pequenininha mesmo.” Sem orçamento para investimentos massivos em gráfica ou publicidade paga, a instituição aposta no alcance orgânico do seu perfil no Instagram (@coart.uerj), que conta hoje com cerca de 21,4 mil seguidores, além de grupos de e-mail e mensagens. Contudo, o motor mais potente de divulgação continua sendo o tradicional marketing boca a boca: “Toda a divulgação acaba sendo muito orgânica também, porque quem foi aluno acaba indicando para outras pessoas. Quando a gente lança uma abertura de inscrição para as oficinas, várias pessoas que vêm acabam marcando amigos, pessoas que acham que têm tudo a ver com aquilo”, afirma Margareth.


A gestão também lida com o desafio estrutural da alta rotatividade do público universitário. Com pouca equipe para cobrir um volume de trabalho expressivo, a Coart ainda não consegue realizar abordagens diretas voltadas exclusivamente para a recepção dos calouros, fazendo com que muitos estudantes só descubram a existência do espaço ao longo da graduação. “A pessoa que está entrando não vai saber da existência da Coart porque a gente ainda não consegue fazer uma abordagem direta com os calouros. O ideal seria a gente fazer alguma coisa para os calouros, mas a gente ainda não consegue”, desabafa a comunicadora, que pontua também a perda frequente do público já fidelizado: “Quando a pessoa chega a um ponto em que conhece o espaço, gosta e passa a frequentar, ela se forma e sai da faculdade. Então, quando a gente chega a um número legal, aí o número cai de novo.”


Apesar de todas as adversidades econômicas e logísticas, a procura pelas atividades oferecidas permanece expressiva e em crescimento. Sob a atual gestão, a oferta pedagógica foi ampliada para atender à demanda reprimida, criando novos módulos e turmas divididas em diferentes horários. Com 31 títulos de oficinas por semestre — cobrindo áreas como cerâmica, desenho, coral, teatro e diversas modalidades de dança, do funk à dança árabe —, mais de 95% das turmas anunciadas atingem a capacidade máxima. Todo esse ciclo culmina, ao final de cada período letivo, nas mostras e exposições semestrais. Durante uma a duas semanas, as salas e os palcos da Coart tornam-se o cenário de apresentações e exibições abertas ao público, concretizando o aprendizado prático e reafirmando a relevância do espaço como um centro vivo de resistência cultural dentro da Uerj.


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