Xodó da Uerj transforma intervalo entre aulas em espaço de dança e convivência
- Comunica Uerj

- há 4 dias
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Por: Kawani Vitória
Foto: Kawani Vitória

Quem passa pela Concha Acústica Marielle Franco no fim da tarde, às terças e às quintas-feiras, pode se deparar com uma cena que contrasta com a pressa típica do ambiente universitário: no palco, estudantes e frequentadores dançam em pares ao som de forró e outros ritmos de salão.
Foi nesse cenário que Ariane Martins, estudante de Biologia da Uerj, conheceu o Xodó Uerj. Interessada por forró, ela conta que nunca havia encontrado um local onde pudesse fazer aulas. A proximidade com a universidade, a gratuidade da atividade e o horário entre as aulas foram fatores decisivos para sua participação.
“Eu gostava muito de forró, sempre gostei. Mas eu nunca encontrei lugar para fazer aula. Na correria de ir para as aulas, vi uma galera dançando aqui. Descobri que era de graça, o que é muito importante, e que acontecia no intervalo entre as minhas aulas. Aí consegui fazer. A galera é muito acolhedora, a professora é maravilhosa e, assim, fiquei”, relata Ariane.
O projeto foi criado por Taíssa Carvalho, estudante de Ciências Sociais, que pratica dança de salão há 12 anos. Ao ingressar na universidade, no entanto, ela precisou interromper as aulas por causa da rotina acadêmica. A experiência despertou, não apenas a saudade da dança, mas também a percepção da falta de iniciativas culturais no campus.
Foi a partir dessas duas motivações que Taíssa decidiu criar o Xodó Uerj: um espaço gratuito de dança, convivência e acesso à cultura dentro da universidade.
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Além de levar a dança para dentro da Uerj, Taíssa queria aproximá-la do público mais jovem. Segundo ela, a dança de salão ainda é cercada pelo estigma de ser uma atividade voltada principalmente para pessoas mais velhas. A dificuldade de encontrar aulas gratuitas também contribui para tornar a prática pouco acessível.
No Xodó Uerj, entretanto, o perfil dos participantes contrasta com essa imagem tradicional. A maioria tem entre 18 e 30 anos. O projeto também recebe pessoas mais velhas e estudantes de outras universidades, como UFRJ e Unirio.
Na quinta-feira, 13 de agosto, acompanhei uma das aulas do projeto. O encontro começou com uma dança livre, em uma retomada do bolero trabalhado na aula anterior. Em seguida, a professora introduziu os passos do samba, ritmo escolhido como tema daquele dia.
Ariane, que frequenta o projeto há mais de um ano, contou que essa é sua parte preferida das aulas: aprender algo novo a cada semana.
As classes também atraem pessoas em busca de uma opção gratuita de lazer e de um espaço para criar vínculos. Cristiano Lomba, aluno do projeto desde abril deste ano, afirma que sua parte preferida é justamente a interação com os colegas.
Para Taíssa, a convivência ajuda a explicar o impacto do Xodó Uerj na rotina dos participantes. “É um local onde as pessoas encontram pertencimento dentro da faculdade, que muitas vezes é um ambiente hostil. Aqui, elas são acolhidas, encontram um hobby e pessoas com quem podem se conectar”, afirma.
As aulas do Xodó Uerj acontecem às terças e às quintas-feiras, das 16h às 18h, e são abertas ao público. Entre os ritmos ensinados estão bolero, soltinho, forró, samba de gafieira e salsa. A participação é gratuita.








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