A Uerj acolhe, mas o caminho até ela exclui
- Comunica Uerj

- 18 de ago.
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A Uerj acolhe, mas o caminho até ela ainda exclui
Por: Diego Oliveira
Antes de começar a coluna desta semana, gostaria de felicitar a todos os papais pelo seu dia, que foi comemorado domingo, dia 9/8/2026.
Como já falamos várias vezes, a Uerj é uma universidade que acolhe e acredita na diversidade como forma de inserção e ascensão social. A cada período, mais estudantes com algum tipo de deficiência escolhem a instituição em busca de uma formação superior.
Além do acolhimento de professores, alunos, servidores e prestadores de serviços, a localização estratégica e a grande oferta de transportes pesam na escolha da universidade. Porém, se por um lado a Uerj é acessível em sua localização, por outro, chegar e sair dela ainda representa uma verdadeira batalha para muitos estudantes com deficiência.
Cegos, pessoas com baixa visão, cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida enfrentam diariamente dificuldades nos transportes públicos. Se você, meu caro leitor, tem alguma deficiência e pensa em ingressar na Uerj, saiba que será acolhido. Mas terá de enfrentar diariamente o desafio de chegar e voltar para casa.
Tomando a liberdade de compartilhar um relato pessoal, esse dilema também fez parte da minha vida. Em 2013, quando ingressei na Uerj, eu era um jovem de 19 anos, recém-saído do colégio. Morador de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, utilizava ônibus e trem para chegar às aulas.
No ônibus, a situação era mais tranquila, pois bastava que alguém me ajudasse a entrar no veículo correto. Depois, eu informava ao motorista onde iria descer e perguntava de tempos em tempos se estava próximo do destino.
Já no trem, a situação era muito mais complicada. A altura das composições e a distância entre o trem e a plataforma dificultavam o embarque e o desembarque. Na época, também não havia agentes ou auxiliares da antiga SuperVia para prestar esse tipo de assistência.
No metrô, por outro lado, sempre encontrei um atendimento melhor. Os agentes eram preparados para auxiliar as pessoas com deficiência, e as estações e composições contavam com recursos de acessibilidade.
Ao retornar à Uerj em 2025, encontrei avanços importantes. Os trens melhoraram consideravelmente, com estações mais acessíveis, novas composições e profissionais treinados. Ainda estamos longe do ideal, mas houve uma grande evolução. Os ônibus continuam apresentando problemas de qualidade e acessibilidade, enquanto o metrô segue sendo, na minha avaliação, o transporte mais acessível do Estado do Rio de Janeiro.
As reformas realizadas para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 também contribuíram para ampliar o debate sobre acessibilidade nos transportes. A estação Maracanã foi uma das que passaram por importantes melhorias.
Em 2015, a Lei nº 13.146, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão, consolidou direitos das pessoas com deficiência, incluindo o direito ao transporte e à mobilidade em igualdade de oportunidades.
Entre os principais direitos estão:
1. Art. 5º, inciso XV, da Constituição Federal: garante o direito de ir e vir.
2. Art. 227, § 2º, e Art. 244: estabelecem a necessidade de adaptação de espaços, edifícios e transportes para garantir acessibilidade.
3. Art. 6º: reconhece o transporte como direito social.
4. Art. 46 da LBI: garante o direito ao transporte e à mobilidade em igualdade de oportunidades, com a eliminação de barreiras que impeçam o acesso.
O direito de ir e vir não existe plenamente sem acessibilidade. Sem condições adequadas de acesso, as pessoas com deficiência não conseguem exercer sua liberdade com autonomia.
Por isso, é necessário lutar para que nossos direitos sejam respeitados e para que as leis sejam cumpridas. A igualdade de acesso não pode existir apenas no papel. Ela precisa funcionar na prática.
Queremos uma cidade acessível. Pois esse é o nosso direito.








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