top of page

Imponente e ameaçado: exposição ‘Oceânides: ciência e poesia’convida público a repensar sua relação com o mar

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 28 de out.
  • 3 min de leitura

Por: Pedro Câmara


Entre os dias 20 e 31 de outubro, o campus Maracanã da Uerj abriga a segunda edição da exposição Oceânides: ciência e poesia, parte da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Gratuita e aberta ao público, a mostra ocupa o hall do 6º andar e a Galeria Itinerante da Praça da Democracia, propondo um mergulho que mistura a relação afetiva e imagética com ciência e informação pensando sobre as consequências da ação humana sobre ele.


Com o tema Planeta água: cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território, a exposição apresenta o oceano como muito mais do que uma simples paisagem ou palco de lazer. É dele que veio a gênese da vida, e é ele um dos principais agentes na manutenção do funcionamento do planeta. Os oceanos são fundamentais no combate ao efeito estufa, na regulação do clima e na formação das chuvas. Cada onda, corrente e gota de vapor faz parte de um ciclo que sustenta a vida na Terra.


Entre os temas abordados, um dos mais alarmantes é o das “ilhas de plástico”, enormes acúmulos de resíduos que se formam nos giros oceânicos — redemoinhos criados pelas correntes marinhas. Neles se concentram toneladas de plástico que o mar não consegue absorver. Segundo estimativas recentes, se o ritmo atual de descarte continuar, até 2050 haverá mais plástico do que peixes (em peso) nos oceanos.


Os painéis também chamam a atenção para a desigualdade na produção e no descarte do lixo: países asiáticos, como Filipinas, Índia e China, são os que mais lançam plástico ao mar (81%), consequência direta da alta densidade populacional e da falta de infraestrutura para coleta e reciclagem. A mostra apresenta ainda uma estimativa do tempo de decomposição dos resíduos — o papel leva cerca de quatro meses, o alumínio cerca de 200 anos, e o plástico pode permanecer por até 450 anos nas águas do planeta.


A poluição dos mares também não deixa de ser um problema local. O manguezal da Estação Ecológica da Guanabara, local onde a Uerj tem atuação com núcleo de estudos em manguezais em um dos ecossistemas mais ricos e frágeis da Baía de Guanabara, sofre há anos diariamente com o acúmulo de lixo e resíduos plásticos que chegam pelos rios. O que deveria ser berço de vida se transforma, pouco a pouco, em depósito de negligência.


A atividade proposta pela exposição, o espaço Cartas para o Mar, carrega simbolismo e poesia. A iniciativa contou com alunos do ensino fundamental, mas também deixou em aberto a participação dos visitantes, reunindo mensagens de esperança e de alerta. Uma das cartas mais marcantes, escrita por uma criança, diz: “Eu tenho medo de você, pois sou pequeno e você é grande.” Já um visitante deixou um bilhete poético e revel: “Todos falam em salvar o planeta e o oceano, mas nem uma palavra pelo rio Maracanã: o mar começa com uma gota de lágrima.”


Promovida pela Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa da UERJ (PR2), com apoio da Diretoria de Comunicação Social (Comuns) e da Coordenadoria de Artes e Oficinas de Criação (Coart), “Oceânides: ciência e poesia” convida o público a refletir sobre a intrínseca ligação entre o humano e o oceano — e sobre a urgência de cuidar daquilo que, desde o princípio, nos deu origem e tornou possível chegarmos até aqui


Comentários


bottom of page